Friday, December 3, 2010

Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH)

Mais comum do que a maioria das pessoas imagina, o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (ou simplesmente TDAH) é uma síndrome conductual com bases neurobiológicas com fortes componentes genéticos e que afeta uma média de de 5% a 10% da população infanto-juvenil, sendo 3 vezes mais frequentes no sexo masculino e cujos sintomas costumam aparecer antes dos 7 anos de idade, embora estudos já tenham comprovado que 60% a 75% das crianças-adolescentes com TDAH continuam apresentando os sintomas na idade adulta.

Segundo o Manual de Diagnósticos e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-IV) o TDAH se caracteriza, principalmente, por distração de moderada a severa seguidos de breves períodos de atenção, inquietude motora, instabilidade emocional e condutas impulsivas. Ainda segundo o DSM-IV os sintomas costumam se agravar em situações que exijam atenção ou esforço mental repetitivo e atividades monótonas ou sem atrativos, a exemplo de escutar o professor em sala de aula, fazer deveres de casa, escutar ou ler textos extensos.

Devido a vários estudos sabe-se que este transtorno neuroconductual é de origem fundamentalmente genético-hereditária em 80% dos casos e por este motivo, não ocorre nas relações adotivas, por exemplo. Em contrapartida, os fatores não hereditários em todos os casos de TDAH já estudados são de apenas 20%, e estão relacionados, de alguma forma, com fatores ambientais. A influência das causas congênitas que atuariam durante a gravidez (ou seja, as não hereditárias com participação de fatores genéticos ou ambientais em proporções variadas), tais como a exposição do útero a fatores externos que sejam daninos ao feto, a exemplo do chumbo, da nicotina, entre outros.

Os estudos de concordância genética para o diagnóstico de gêmeos relevaram taxas de concordância de 25% a 40% para gêmeos não idênticos e de 80% para gêmeos idênticos e ainda segundo estes estudos, trata-se de um transtorno de herância polegênica e de acordo com a evidência, múltiplos gens contribuem à "transmissão" do TDAH, a exemplo do gen que codifica o receptor dopaminérgico D4, o que codifica o receptor D5 e o que codifica a proteína que transporta a dopamina.

Para ser determinada como portadora de TDAH a criança deve apresentar algumas condições, que podem ser tratáveis. Com o passar dos anos, no entanto, o TDAH pode afetar algumas áreas do cérebro tais como as que permitem solucionar problemas, fazer planejamentos futuros, compreender a atitude dos demais e controlar seus próprios impulsos.

A Academia Psiquiátria Americana para Crianças e Adolescentes (AACAP - por sua sigla em inglês) considera como necessário que os seguintes fatores estejam presentes:

- O comportamento deve aparecer antes dos 7 anos de idade.
- Deve continuar por, pelo menos, seis meses.
- Os sintomas devem também criar uma deficiência em pelo menos duas das seguintes áreas na vida da criança:
* na sala de aula;
* no parque;
* em casa;
* na comunidade, ou
* no meio social.

Mas é preciso estar atento, pois se a criança demonstra muita atividade em um parque de diversões, mas não em outros lugares, o problema pode não ser TDAH e é preciso diferenciar e fazer um diagnóstico adequado. Há várias condições e situações que podem causar impacto no comportamento infantil, e muitas crianças podem, inclusive, demonstrar alguns sintomas de TDAH sem que sejam realmente portadoras do transtorno:

- Morte ou divórcio em família, desemprego de um dos pais, ou outra mudança repentina
- Vertigens não detectadas
- Uma infecção de ouvido pode causar problemas de audição temporários
- Problemas com os trabalhos escolares causados por deficiência de aprendizado
- Ansiedade ou depressão
- Noites mal dormidas
- Abuso infantil

Os principais sinais e sintomas do TDAH são desatenção, hiperatividade e impulsividade. Existe uma certa dificuldade para definir bem os sintomas pois é preciso determinar onde os níveis normais destes três sinais acabam e começam os que determinam o transtorno.

Os sintomas se categorizam em três classificações potenciais: tipo desatento, tipo predominantemente hiperativo-impulsivo ou o tipo que combina as duas subcategorias.

Os sintomas do tipo predominantemente desatento podem incluir:

- Ser facilmente distraído, não colocar atenção a detalhes, esquecer das coisas com facilidade, mudar frequentemente de uma atividade a outra;
- Ter dificuldade de manter-se enfocado em uma só atividade;
- Sentir-se entediado com uma atividade depois de alguns minutos, a menos que esteja fazendo alguma coisa que realmente seja agradável;
- Ter dificuldade de enfocar-se atentamente ou organizar-se e completar uma tarefa ou aprender algo novo ou ter problemas para completar trabalhos de casa, perder coisas com frequência;
- Não parece escutar quando alguém lhe dirige a palavra;
- Sonhar acordado, ficando facilmente confuso e movendo-se de forma muito lenta;
- Ter dificuldade para seguir instruções.

Os sintomas do tipo predominantemente hiperativo-impulsivo podem incluir:

- Mover-se constantemente em seu assento;
- Falar sem parar;
- Mexer nas coisas, tocar em objetos ou brincar quando não há ninguém por perto;
- Ter dificuldade para manter-se sentado nas refeições e em horas de estudo;
- Estar em constante movimento;
- Ter dificuldade para realizar tarefas tranquilas.

...além destes sintomas que são primariamente impulsivos:

- Ser impaciente;
- Fazer comentários inapropriados, mostrar suas emoções sem restrição, e atuar sem pensar nas consequências;
- Ter dificuldade em esperar pelas coisas que desejam.

Muitas pessoas exibem alguns destes comportamentos, mas não em um grau significante e que interfira com o trabalho, relacionamentos, ou estudos.

TDAH pode acompanhar outros transtornos como depressão e ansiedade. Estas combinações podem complicar grandemente o diagnóstico e o tratamento. Estudos acadêmidos e pesquisas em práticas privadas sugerem que depressão nos portadores de TDAH são incrementadas à medida que a criança vai crescendo, sendo que este aumento é maior em meninas que em meninos e sua prevalência pode variar a depender do subtipo de TDAH. Quando há a presença de um transtorno de humor é preciso cuidar a este primeiramente.

Desatenção e comportamento hiperativo não são os únicos problemas na infância com TDAH. TDAH existe sozinha em aproximadamente 1/3 das crianças diagnosticadas. Muitas das condições coexistentes requerem outros tratamentos e podem ser diagnosticados separadamente em lugar de ser agrupados com o diagnóstico de TDAH. Algumas destas condições associadas são:

- Transtorno de Oposição Desafiadora (muitas vezes confundidas com malcriação - 35%) e Transtorno de Conduta (26%), ambos caracterizados por comportamentos antisociais, a exemplo de agressão, mudança de humor frequentes, traição, mentiras ou roubo, inevitavelmente relacionados com Transtorno de Personalidade Antisocial (ASPD - por sua sigla em inglês);
- Transtorno de Personalidade Limítrofe (70%);
- Transtorno de Vigilância Primária, que se caracteriza por falta de atenção e concentração, tanto quanto dificuldades em estar alerta. Estas crianças tendem a estar inquietos, bocejando e espreguiçando-se e aparentam ser hiperativas para poder manter-se atentas e ativas.
- Transtornos de Humor. Meninos diagnosticados com subtipos combinados aparentam sofrer de Transtorno de Humor.
- Desordem Bipolar. Pelo menos 25% das crianças com TDAH possuem Desordem Bipolar. Crianças com esta combinação podem demonstrar agressividade e problemas de comportamento, o que os portadores de TDAH sozinho não apresentam.
- Desordem de Ansiedade, que são encontradas principalmente em meninas diagnosticadas com o tipo de TDAH desatento.
- Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acredita-se que este problema carregue consigo um componente genético e que divida com o TDAH algumas de suas características.

Conforme já foi comentado, estudos apontam que 60% a 75% das crianças diagnosticadas com TDAH continuam apresentando problemas na fase adulta. Muitos adultos, entretanto, permanecem sem tratamento e adultos não tratados adequadamente podem ter suas vidas transformadas em um verdadeiro caos, podem ser extremamente desorganizados e podem sucumbir ao uso de drogas e álcool para sentir-se melhor. Adultos portadores de TDAH não tratados podem sofrer de depressão, transtorno de ansiedade, desordem bipolar, abuso de substâncias tóxicas, ou deficiência de aprendizado.

Por ser um transtorno de ordem biológico, o TDAH responde eficazmente ao tratamento farmacológico que ainda constitui no pilar mais importante da terapia. Os tratamentos habituais se baseiam em estimulantes que, apesar de suas características, apresentaram modificações positivas dos sintomas. Entre eles está a cafeína com a qual as vezes os adultos e adolescentes se automedicam.

Atualmente as substâncias mais empregadas em países como Estados Unidos, por exemplo, são o metilfenidato e a l-anfetamina, seguidas de dexafetamina e metanfetamina. Outros psicoestimulantes de segunda linha são pemolina e modafinil. Com respeito a este último, sua eficácia foi comprovada e esteve a ponto de ser lançado no mercado para o tratamento do TDAH. No entanto, não chegou a alcançar as prateleiras das farmácias tendo culminado a fase III dos ensaios clínicos para que pudesse ser aprovado, mas em 2006 a aprovação foi negada e feita a solicitação de novos estudos concernentes à segurança do medicamento. Em resposta à desaprovação, o laboratório fabricante do produto decidiu abandonar o desenvolvimento do mesmo.

Recentemente também tem sido usada a lisdexanfetamina, cuja molécula resulta de um amalgama de dexanfetamina com o aminoácido lisina e como consequência desta modificação na estrutura, o organismo demora muito mais tempo em metabolizar a substância, o que resulta em uma ação terapêutica prolongada.

Na Espanha os únicos estimulantes aceitos para o tratamento do TDAH são o metilfenidato de efeito imediato, além da atomexetina. E no Brasil, bupropiona, modafinil e antidepressivos tricíclicos.

É necessário, portanto, que juntamente ao tratamento farmacológico haja um tratamento psicológico para os problemas conductuais associados. Este tratamento seria um complemento e buscaria uma redução das condutas disruptivas da criança nos diferentes ambientes mediantes terapias cognitivo-conductuais. Igualmente é aconselhado uma intervenção psicopedagõgica sobre os problemas de aprendizagem que costumam aparecer em grande parte dos portadores de TDAH. Atualmente são desenvolvidas terapias de desenvolvimento positivo em crianças que tentam reforçar os aspectos potenciais dos jovens mediante a prática de esportes e dinâmica de grupo.

A complementaridade entre terapias cognitivo-conductuais, juntamente a terapias ocupacionais e fonoaudiólogo, além do seguimento farmacológico parece ser, hoje em dia, o melhor tratamento para este transtorno.

Fica o alerta!

Beijos, flores e muitos sorrisos!

*********************

Integral & Transpersonal Psychotherapy Center
Consultório Psicológico Online - Inglês, Espanhol e Português - 24 horas/7 dias na semana

2 Integralidades:

Cá, muito interessante esse post! Mas uma coisa me decepciona muito sobre esses transtornos, claro q eles existem e precisam ser tratados, mas no mundo atual tudo é usado para o proprio conforto. Como professora vejo muitos pais inventando doenças nas cças como desculpa para o péssimos comportamento delas. E como terapeuta vejo pais querendo diminuir a quantidade de drogas q os psiquiatras dão sem realmente fazerem todos os testes necessários... É triste ver onde estamos indo parar... pais negligenciam seu papel, médicos dopam as cças, enquanto uma unica dose de amor, educação e disciplina já seria suficiente! Bjo enorme!

Gostei muito do blog, mas gostaria que tu lesse essa matéria e fizesse uma pesquisa sozinha e buscasse tuas próprias fontes. obrigado!
http://www.tdahiperatividade.com.br/leon-eisenberg-o-tdah-e-uma-mentira/

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Viver
v int viver [vi'ver]: existir, morar, continuar vivo
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adj m+f integral (integrais [ĩtə'grajʃ] pl) [ĩtə'gral] total, completo

Viver Integral é viver de forma plena e sana o único bem que possuímos em realidade, nossas vidas.

Este blog é dedicado a todos aqueles que necessitam de ajuda física, emocional, psicológica e nutricional para poder alcançar aquela que deve ser a nossa maior e melhor meta, que mais do que ser acrescentar anos a nossas vidas, deve ser a de acrescentar Vida a nossos anos para, a partir daí, viver integrada, plena, integralmente a Vida.

Sintam-se em casa. Comentem, concordem, discordem, dêem sua opinião. Somente assim poderemos melhorar e acrescentar algo a nossa existência.

Beijos, flores e muitos sorrisos para todos!

Adendo

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Este blog é 100% espiritualista, não importando religiões, doutrinas, seitas. O que prevalece neste espaço é o amor e a bondade que advém unicamente do respeito pelas diferenças.

Aqui respeita-se o ser humano, enquanto Ser e Humano, da mesma forma que são respeitadas todas as formas de vida com anima, sejam racionais ou não, traduzindo-se em uma forma de vida mais natural e centrada.

Os artigos de nutrição e alimentação seguirão os padrões vegetarianos sob suas mais diversas formas (embora sejamos crudivoros veganos) buscando-se respeitar também aos que ainda sentem a necessidade física de algum componente animal em sua dieta, a exemplo de laticinios.

Os conselhos de saúde aqui oferecidos são de caráter puramente amador, visto que são fruto de muita leitura e curiosidade tão somente, não refletindo em nenhum tipo de conceito científico ou não pretendendo, em absoluto, substituir qualquer tipo de aconselhamento médico. Na dúvida ou na necessidade, busque ajuda médica especializada.

Os aconselhamentos psicológicos estarão a cargo de Rafael Morales, psicoterapeuta com vários anos de treinamento e experiência profissional em Psicologia e Psicoterapia Transpessoal-Integral apoiando indivíduos, casais e famílias em diferentes Centros de Saúde Mental, Educacionais e de Apoio à Comunidade na América do Sul e nos Estados Unidos, tanto pessoalmente como online, através de Intrapsyc.

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